domingo, 7 de setembro de 2008



O Sorriso de Monalisa

O filme recria a atmosfera e os costumes do início da década de 50. Conta a história de uma professora de arte que, educada na liberal Universidade Berkeley, na Califórnia, enfrenta uma escola feminina, tradicionalista – Wellesley College, onde as melhores e mais brilhantes jovens mulheres dos Estados Unidos recebem uma dispendiosa educação para se transformarem em cultas esposas e responsáveis mães. No filme, a professora tentará abrir a mente de suas alunas para um pensamento liberal, enfrentando a administração da escola e as próprias garotas.

Observa-se que as alunas, suas famílias, a direção da instituição e a grande maioria dos professores têm apego à tendência pedagógica conservadora, tradicional.
A Professora, por óbvio, apresenta postura progressista, sendo esta a origem de todos os conflitos.

Dos momentos de aprendizagem mais significativos, cabe ressaltar o trecho onde a aluna que havia sido aceita em Yale, graças ao incentivo da Srta Watson, abdica dos estudos e casa-se. A professora tenta, ainda, fazer com que a aluna não desista e faça as duas coisas, mantenha o seu casamento, e todas as responsabilidades decorrentes, e estude direito. A aluna argumenta que foi uma escolha. Que ser esposa e dona de casa não a fará menos inteligente ou menos importante. Parece que a professora, então, percebe que havia razão naqueles argumentos e que estaria, contraditoriamente, impondo seu pensamento. Percebe-se que houve aprendizado mútuo.

Para docência do ensino superior, pode-se considerar a aplicação de algumas das práticas empregadas pela já citada professora:
- O foco na aprendizagem das alunas, extrapolando o material oficial da escola;
- Provocar a dinâmica de olhares diversos para a mesma questão (figura);
- Construir a crítica, a partir da vivência das alunas;
- Sair da clausura da sala de aula, buscar o conhecimento onde ele estiver;
- Contemplação. Sem objetivo de avaliação.

Sem dúvida, ver este filme, com olhar de quem busca conhecimentos acerca do mundo da pedagogia e educação, é uma experiência desafiadora, enriquecedora e emocionante. Não há como não levar os personagens, suas angustias, alegrias e lições por muito tempo na memória.

2 comentários:

Los filósofos desconocidos disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
elizabeth disse...

Parabéns, Valéria, pela contextualização do fime objeto de análise e, sobretudo, pelo oportuno título de seu Blog:
"Eu também sei que nada sei... "

Ademais bom seria se todos nós refletíssémos acerca da profundidade de essa máxima, porque, então, seguiríamos aprendendo, aprendendo(...) e sempre aprendendo,inclusive com o que discordamos.
abraços,
Profa. Beth