
O Sorriso de Monalisa
O filme recria a atmosfera e os costumes do início da década de 50. Conta a história de uma professora de arte que, educada na liberal Universidade Berkeley, na Califórnia, enfrenta uma escola feminina, tradicionalista – Wellesley College, onde as melhores e mais brilhantes jovens mulheres dos Estados Unidos recebem uma dispendiosa educação para se transformarem em cultas esposas e responsáveis mães. No filme, a professora tentará abrir a mente de suas alunas para um pensamento liberal, enfrentando a administração da escola e as próprias garotas.
Observa-se que as alunas, suas famílias, a direção da instituição e a grande maioria dos professores têm apego à tendência pedagógica conservadora, tradicional.
A Professora, por óbvio, apresenta postura progressista, sendo esta a origem de todos os conflitos.
Dos momentos de aprendizagem mais significativos, cabe ressaltar o trecho onde a aluna que havia sido aceita em Yale, graças ao incentivo da Srta Watson, abdica dos estudos e casa-se. A professora tenta, ainda, fazer com que a aluna não desista e faça as duas coisas, mantenha o seu casamento, e todas as responsabilidades decorrentes, e estude direito. A aluna argumenta que foi uma escolha. Que ser esposa e dona de casa não a fará menos inteligente ou menos importante. Parece que a professora, então, percebe que havia razão naqueles argumentos e que estaria, contraditoriamente, impondo seu pensamento. Percebe-se que houve aprendizado mútuo.
Para docência do ensino superior, pode-se considerar a aplicação de algumas das práticas empregadas pela já citada professora:
- O foco na aprendizagem das alunas, extrapolando o material oficial da escola;
- Provocar a dinâmica de olhares diversos para a mesma questão (figura);
- Construir a crítica, a partir da vivência das alunas;
- Sair da clausura da sala de aula, buscar o conhecimento onde ele estiver;
- Contemplação. Sem objetivo de avaliação.
Sem dúvida, ver este filme, com olhar de quem busca conhecimentos acerca do mundo da pedagogia e educação, é uma experiência desafiadora, enriquecedora e emocionante. Não há como não levar os personagens, suas angustias, alegrias e lições por muito tempo na memória.
2 comentários:
Parabéns, Valéria, pela contextualização do fime objeto de análise e, sobretudo, pelo oportuno título de seu Blog:
"Eu também sei que nada sei... "
Ademais bom seria se todos nós refletíssémos acerca da profundidade de essa máxima, porque, então, seguiríamos aprendendo, aprendendo(...) e sempre aprendendo,inclusive com o que discordamos.
abraços,
Profa. Beth
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