domingo, 5 de outubro de 2008

Pessoal,
não deixem de ver.

50% dos docentes têm curso superior
A outra metade fez só ensino médio ou fundamental; legislação exige que 70% dos professores tenham graduação

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081004/not_imp253174,0.php

Muito interressante.

"Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram." (Graham Bell)


Pois bem, não tomemos a ótima frase como máxima!!! Copiar e dar eternidade àquilo que é bom, é sinal de civilização e inteligência!

Que o dito de Graham Bell sirva de inspiração para que saibamos porque não fazemos algo de outra forma. Para que tenhamos convicção de que estamos fazendo o ótimo.

Não é assim no mundo ciêntífico? Um pesquisador percorre uma parte do caminho. O outro, partindo daquele ponto, desenvolve ainda mais a idéia inicial, seja para corroborá-la ou refutá-la. Seria uma estupidez percorrer todo o trajeto novamente, apenas para se certificar de que chegaria no mesmo ponto visitado pelo estudioso anterior!!!

Caminhar fora do caminho traçado poderá conduzir a lugares onde outros ainda não foram, quanto a isto não há dúvidas, mas esses lugares poderão, eventualmente, ser muito indesejados ou inúteis.

Concordam?

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
Paulo Freire

Da obra em referência, destacam-se dois pontos:
a) Primeiras Palavras – o autor prepara o leitor, informando que o pequeno livro, praticamente em sua integralidade, é permeado pela indispensável ética na prática da educação. Alerta não se tratar daquela ética secundária e restrita e sim da ética humana universal, que condena o cinismo, a maledicência, a falta de verdade, a malandragem e os atos de discriminação. Ressalta que a maneira mais adequada de empenhar-se pela expansão desta ética é vivê-la, praticá-la nos detalhes mínimos da rotina.
b) “Às vezes, mal se imagina o que pode passar a representar na vida de um aluno um simples gesto do professor.” Depois desta frase o autor relata uma experiência que viveu em sua adolescência, época em que sentia-se inferiorizado, seja por seu aspecto físico, sua condição social, ou mesmo por sua suposta limitada capacidade intelectual. Conta ele que o professor devolvia trabalhos escolares com os conceitos já atribuídos e que ao chamá-lo, reexaminou o texto e, mesmo sem dizer uma palavra, balançou a cabeça, num gesto respeitoso e cheio de consideração. O autor conta que tal fato encheu-lhe de confiança, mas uma confiança consciente de que o seu excesso também não seria adequado.

Os dois trechos parecem carregar em suas entranhas duas mensagens indispensáveis à formação dos futuros docentes. A primeira caracteriza-se mais pela abstenção de determinadas condutas. Apesar de exigir que tal opção seja explicita, escancarada, em cada ato cotidiano, em cada palavra proferida. A segunda chama à responsabilidade não só pelo que é dito ou não dito. Vê-se no exemplo que o simples balançar de cabeça teve o condão de modificar a postura de toda uma existência.

Há que se avaliar, antes de abraçar a docência, se tais responsabilidades serão recebidas com alegria. Se tais encargos serão compensados pela retribuição diária de ver cada pequena descoberta, cada nova experiência, cada turma que se irá, levando seus mestres, com suas lições e exemplos, em suas lembranças. Se a resposta for sim, eis mais um professor a serviço da evolução humana!!!